
“Meu dom é transformar. É alterar tudo, adaptando para uma visão própria. Ao menos na minha mente, posso fazer o que quiser. Posso pintar a solidão com companhias. Posso fazer duendes de três metros de altura e gigantes com meio metro. Posso fazer com que vampiros cheguem a ser mais bonzinhos do que seres humanos e que todos do meu mundo sejam bruxos, bem lá no fundo. Posso fingir que sou importante para todos e que não tenho medo de nada. Nem de barata. E nesse mundo onde planejo as coisas, com certeza o preencheria de paz. Paz e amor, que é pra acabar com essas guerras infelizes onde um monte de babacas não entendem o poder de uma simples conversa. Posso inventar amores que não vão embora. Aqueles que duram eternamente, sabe? Posso fingir que meu coração nunca foi partido e nem está quebrado neste exato momento. Eu imagino um mundo pica das galáxias, onde geral saiba respeitar as diferenças do próximo. Onde pessoas que usam óculos e aparelho dentário não sejam consideradas nerds e gente que usa tamanho GG não sejam consideradas gordas. Um mundo onde beleza de verdade é aquela que fica escondidinha dentro da nossa alma. E essa alma nunca se apaga, porque sabe que vale a pena viver. E os animais andam soltos por aí, porque não sentem vontades de atacar ninguém. Não sentem fome. Que a nossa fome seja de novidades, de esperanças. Fome de amar, de chegar perto de pessoas queridas e dar um abraço fofinho. Dar um beijo de esquimó em seu parceiro. Andar descalço direto na rua sem pegar tétano. Correr e quando cair, não correr o risco de quebrar os ossos. Pular como uma criança. Agir como um adulto. E nesse mundo, ninguém iria precisar recorrer a drogas, nem mesmo ao cigarro. Porque enfrentariam seus temores na cara de pau mesmo. Ninguém ia encher a cara para afogar as mágoas. Aliás, no meu mundo… Mágoa… Quem é essa? Ela simplesmente não existe. Agora, autoestima existe de sobra. E todas as promessas seriam cumpridas. Todos os desejos realizados. Todas as famílias permaneceriam unidas. Todas as armas completamente destruídas. Aí é bom. Nesse lugar, se você não for com a minha cara, viramos as costas um pro outro e seguimos em frente sem se importar com esse fato. Sabe o Capitalismo? Estaria em extinção. Nada de pobre cada vez mais pobre e rico cada vez mais rico. Todos teriam as condições necessárias para preencher suas vontades. Sem limites nos cartões de créditos e sem juros exorbitantes. Sem filas no supermercado e nas casas lotéricas. Sem carência, sem ausência de sentimentos. Sem frieza. Sem calor de matar e sem frio de gelar os ossos. Tantas coisas boas que fogem da minha imaginação. E sabe o que acontece na minha imaginação? Exatamente isso. Todo esse ciclo de felicidade contínua. A realidade está me desgastando. E agora eu não durmo por estar com sono e sim forçadamente, pra esquecer tudo o que me irritou o dia inteirinho. Para sonhar com tudo o que estou imaginando. Para ser completamente feliz… Pelo menos por algumas horas.” — Mayne S, linhas gastas
